Sereias

A arte medieval as representa em duas formas distintas, como metade mulher e metade peixe ou como metade mulher e metade pássaro, podendo ser encontradas em diversas igrejas, edificações, sepulturas e navios da época, sendo a versão peixe a mais difundida, que pode ser vista, por exemplo, na cultura nórdica.

Esses seres com visual metade peixe normalmente são retratados morando em lugares escarpados, ilhas rochosas e recifes, com seu canto hipnotizante atraíam os navegantes para estes lugares de difícil navegação causando o naufrágio de seus barcos para posteriormente devorá-los.

Elas também são vistas como símbolos do desejo em seu aspecto mais doloroso, pois seu corpo animal não pode satisfazer os anseios que seu canto e beleza de sua face e busto despertam. Seus adereços característicos, o espelho e o pente, revelam a sensualidade e vaidade dessas criaturas.

Temos ainda registros de uma seria fluvial na mitologia alemã, Lorelei, que habitaria os rochedos do rio Reno, dando o mesmo destino as desafortunadas embarcações marítimas.

Já no Brasil, há lendas que contam de Iara, uma sereia que vive nos rios do norte do país. Iara canta para suas vítimas a seguirem até as profundezas dos rios, de onde nunca mais voltam e os poucos afortunados que sobrevivem acabam loucos devido ao encantamento da sereia, sendo que apenas um ritual realizado por um pajé poderia curar essa pessoa.

Fazendo uma análise simbólica podemos ver as sereias como tentações em nosso caminho, a navegação pela vida, para impedir a evolução do espírito e “encanta-lo”, detendo-o na ilha mágica ou morte prematura que representaria uma parada abrupta no caminho rumo a evolução pessoal.

Quando olhamos para as culturas egípcias e assírio-babilônicas as sereias são encontradas como mulheres pássaro, sendo cabeça de mulher e corpo e pés de pássaro, originalmente elas são espíritos dos mortos, sendo exclusivamente demônios femininos.

Também conhecidas como Sirenes, as sereias assemelham-se as Harpias no fato de terem corpo de pássaro e cabeça de mulher, no entanto, enquanto as sereias têm como característica um canto maravilhoso que leva o marinheiro desavisado à desgraça, as harpias nada cantam, e sua fama está em raptar crianças e almas, além de emporcalhar tudo que tocam.

Hoje em dia a visão desse ser mitológico é muito mais romantizada, mostrando de uma forma mais sutil o desejo da sereia em fazer parte da nossa sociedade, como podemos ver em vários desenhos infantis.

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