PentagramaAproximadamente 3 min de leitura

O pentagrama, ou a estrela de cinco pontas, é um dos símbolos mais persistentes e multifacetados da história da humanidade. Longe de possuir um significado único, ele funciona como um espelho cultural, refletindo as crenças, a ciência e a espiritualidade de cada época. Ao longo dos milênios, este traçado geométrico único, que pode ser desenhado sem tirar a caneta do papel, representou desde a harmonia do cosmos até a proteção contra o mal.
Abaixo, exploramos as diversas camadas de significado que tornam o pentagrama uma peça central na simbologia universal.
Historicamente, as primeiras aparições do pentagrama remontam à Mesopotâmia, por volta de 3000 a.C., onde era utilizado como um caractere de escrita e um símbolo de poder real, representando o alcance do império sobre os quatro cantos do mundo e o céu.
Na Grécia Antiga, o símbolo ganhou uma profundidade filosófica com os Pitagóricos. Para eles, o pentagrama era o emblema da Saúde e do Equilíbrio. Essa associação não era arbitrária, o símbolo contém em sua estrutura a “Proporção Áurea”, uma razão matemática encontrada na natureza que o olho humano interpreta naturalmente como beleza e harmonia.
Uma das interpretações mais humanistas do pentagrama é a sua relação com o corpo humano, o Homem Vitruviano. Ao observar a estrela, podemos identificar facilmente a figura de um homem com braços e pernas abertos, sendo a ponta superior a cabeça.
Neste contexto, o pentagrama simboliza o Microcosmo, ou seja, o ser humano como um reflexo em miniatura do universo, o Macrocosmo. Ele representa o domínio do espírito e da inteligência sobre os quatro elementos da matéria: terra, ar, fogo e água.
A trajetória do pentagrama pelas religiões revela como um símbolo pode ser reinterpretado drasticamente ao longo do tempo:
- Cristianismo Primitivo: Antes de ser associado a outros movimentos, o pentagrama era usado pelos cristãos para representar as Cinco Chagas de Cristo. Era visto como um símbolo de proteção e da verdade espiritual.
- Paganismo e Wicca: Nestas tradições, o pentagrama é um símbolo sagrado da conexão com a natureza. Cada ponta representa um elemento (Terra, Ar, Fogo, Água) e a quinta ponta, voltada para cima, representa o Espírito. É utilizado como um amuleto de proteção e consagração.
- Esoterismo e Inversão: No século XIX, surgiu a distinção visual que perdura no imaginário popular. O pentagrama com uma ponta para cima simboliza o triunfo do espírito sobre a matéria. Já o pentagrama invertido (duas pontas para cima) passou a ser associado à busca material ou a correntes ocultistas específicas, simbolizando a “queda” ou a negação da ordem espiritual.
Na cultura chinesa, embora não usem a estrela de cinco pontas exatamente como no Ocidente, o conceito dos Cinco Elementos (Wu Xing) — Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água — é frequentemente ilustrado em um diagrama pentagonal. Ele mostra o ciclo de criação e destruição da vida, reforçando a ideia de movimento e transformação contínua.
Para os alquimistas medievais, o símbolo era a representação da “Quinta Essência” ou Éter, a substância mística que permeia tudo o que existe, sendo o objetivo final da busca espiritual e laboratorial.
Apesar das diferentes interpretações, o pentagrama mantém uma essência comum: a busca por entender a ordem oculta no caos. Seja na bandeira de diversos países, em templos antigos ou em manuais de ciência, ele nos lembra que tudo no universo está interconectado por leis geométricas e significados profundos. Compreender o pentagrama é, em última análise, compreender a tentativa humana de encontrar o seu lugar no vasto desenho da existência.




