RomãozinhoAproximadamente 2 min de leitura

Dentro do folclore brasileiro, especialmente no Centro-Oeste, a figura de Romãozinho surge como um poderoso símbolo da ruptura do laço mais sagrado da humanidade, o amor entre mãe e filho. Diferente de outros seres fantásticos que protegem a mata, Romãozinho simboliza a crueldade gratuita e o castigo eterno decorrente da desobediência extrema e da calúnia.
A história conta que, por maldade, o menino enganou o pai ao dizer que a mãe o traía, levando ao assassinato da mulher. Antes de morrer, ela o amaldiçoou a nunca descansar, nem no céu, nem no inferno. Simbolicamente, Romãozinho representa o eterno errante. Ele é a manifestação daquela parte da psique humana que se recusa a amadurecer e a respeitar os limites éticos, ficando presa em um ciclo infinito de travessuras destrutivas.
Embora Romãozinho seja uma figura local, o que ele simboliza é universal. Em diversas sociedades, encontramos o arquétipo do “Puer Aeternus” (a criança eterna) em sua versão sombria. Se em algumas culturas a criança simboliza a pureza e o recomeço, em outras, como no caso de Romãozinho, ela personifica o caos primordial que surge quando a educação e a moral falham.
- O Errante: Assim como o mito grego de Sísifo, condenado a rolar uma pedra eternamente, Romãozinho simboliza o esforço inútil. Ele caminha sem destino, quebrando telhas e assustando animais, apenas para preencher o vazio de uma existência sem propósito.
- A Calúnia: Ele é o símbolo da palavra que destrói. Em várias tradições, o ato de levantar falso testemunho contra os pais é visto como o crime supremo, pois ataca a raiz da árvore familiar.
- O Vazio Espiritual: Por não ser aceito em lugar nenhum, ele representa a solidão absoluta do indivíduo que se desliga de sua comunidade por meio da maldade.
A relevância de símbolos como Romãozinho na vida humana é fundamental. Eles funcionam como um espelho moral, lembrando-nos de que nossas ações possuem ecos que transcendem o momento presente. Ao compreendermos a simbologia desse “menino terrível”, entendemos a importância do respeito, da verdade e dos vínculos que nos mantêm unidos como sociedade. Eles nos ensinam, de forma didática e visual, que a liberdade sem responsabilidade é, em si mesma, uma forma de prisão eterna.




